Burgos – Hontanas – Castrojériz (40 km)

Caminhei um tempo com o Zé, que estava com o pé doendo por causa da torção do dia anterior. Depois segui na frente, cruzei com o Paulo e depois com o Valério. Tomamos café da manhã todos juntos e seguimos.

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Quando eu estava passando por um pueblo, cruzei com o Stefano, um italiano bonitinho com o qual já havia cruzado muitas vezes. Ele fez menção de querer conversar e eu parei de pedalar e fui conversando com ele por uns 10 km até chegar em Hontanas.

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Foi tão agradável que nem percebi o tempo passar e nem o quanto havíamos andado. Conversamos muito, num misto de espanhol, português e italiano. Dei um chocolate de presente para ele se lembrar de mim. Ele agradeceu, mas não queria aceitar, pois ficou com medo de eu ficar sem. Mostrei os mais de 10 chocolates que carregava comigo e ele acabou aceitando.

Chegando a Hontanas, tiramos uma foto juntos e ele seguiu em frente.

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Enquanto esperava os meninos, cruzei com o português e um outro italiano, que sempre andavam juntos.

Fui conversar com eles e o português foi um tantinho antipático quando eu falei que havia morado no Porto, afinal ele é de Lisboa. Aquele velho bairrismo démodé entre os alfacinhas e os tripeiros. Deixei os dois de lado e fui aguardar os meninos.

Quando eles chegaram, fomos comer um bocadillo e resolvemos seguir adiante, pois o pueblo era muito pequeno e não tinha nada.

A princípio tínhamos pensado em ficar em Hontanas, mas desistimos, diante do tamanho do pueblo. O Zé, que estava com o pé doendo, resolveu ir de bike e assim que subiu na mesma, se estabacou numa parede. Ele disse que a bota enroscou no pedal e ele não estava acostumado com a bike. Claro que rimos e sacaneamos bastante.

Fui andando com o Paulo e o Valério por mais 10 km. Em um determinado ponto, eu e o Paulo resolvemos apostar uma corridinha com as mochilas nas costas, só para dar uma animada na caminhada. Parecíamos duas tartarugas correndo com seus cascos pesados e sem jeito.

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Cheguei com as bolhas pegando fogo e não estava conseguindo andar direito. Nem podia reclamar, pois a ideia de seguir adiante foi minha.

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Fomos aos três albergues existentes e estava tudo completamente lotado. Ficamos rodando pela cidade à procura de algum lugar e eu me arrastando pelo caminho.

Em determinado ponto, achamos que teríamos que dormir numa praça ou na igreja, pois não havia lugar disponível. Já havíamos rodado todos os albergues, algumas casas de família e nada.

Depois de rodar todos esses lugares, o desespero tomou conta de mim. Sentei no meio da rua, com a mochila nas costas, completamente exausta e comecei a chorar. Não tinha mais forças para nada.

Os meninos tentaram me animar, brincaram comigo, mas eu estava no meu limite. Tínhamos andado 40 km, o dia todo embaixo de sol e carregando peso.

Acabamos ficando em um hostal e depois de tomar um banho, colocar roupas limpas e sentar um pouco, eu era uma nova pessoa, pronta para conhecer a cidade.

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Quando saímos para almoçar, cruzamos com o Stefano e eu o apresentei aos meninos, que claro, fizeram algumas brincadeiras, pois eu havia contado que ele era bombeiro e como tinha sido boa a caminhada ao seu lado.

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