A primeira vez a gente nunca esquece

Existem muitas viagens dentro de mim. Algumas realizadas e muitas outras por acontecer. Resolvi começar a contá-las, pois tenho um projeto de colocar os sonhos pra fora e ver o mundo com os meus olhos.

Como a grande maioria das pessoas, tenho viagens muito afetivas, quando ainda somos crianças e vamos aonde nossos pais definem. Tenho grandes lembranças de férias na praia com os primos, na casas dos avós, que eram submetidos a 5, às vezes 6 netos de uma vez, por 15/20 dias. Eram dias muito felizes, sem grandes preocupações, caçando ocupação todos os dias, o dia inteiro e claro que aonde se juntam muitas crianças, o inimaginável acontece. Era um que se machucava feio, um que vinha sangrando da rua, outro que arranjava briga, todos que chegavam com muitos amiguinhos para lanchar, “invasões” de casas abandonadas, tardes no sítio, cavalgadas com a turma, banhos de cachoeira, explorações, etc., etc., etc.

Sim, foram ótimos tempos, mas não é neles que vou me concentrar. Vou começar a narrar meu olhar, além de onde nossas divisas geográficas nos delimitam.

Lembro da minha primeira grande viagem, aliás, a primeira sozinha para o Velho Continente, rumo a Portugal, onde eu moraria por 3 meses, como dito anteriormente.

Foi há muito tempo e eu tinha 19 anos. Claro que por uma série de motivos, foi uma experiência mágica e acredito que tenha sido o começo da minha ânsia em ver o mundo, conhecer diferentes culturas, hábitos, pessoas, lugares.

Foi especial porque foi a primeira, porque fui sozinha, porque estava indo morar com um namorado que já morava lá e porque não foi fácil conseguir resolver todos os imbróglios para partir rumo à Europa. Tive que convencer meus pais a liberarem minha ida, já que como menor de idade, precisava do aval e da assinatura deles no passaporte. Tive que convencer meu avô a me emprestar o dinheiro da passagem, já que eu trabalharia para pagar as minhas despesas e traria o valor emprestado.

Na época da viagem, os Correios entraram em greve e para resumir a história, que é longa, consegui o passaporte, indo até a Polícia Federal de São Sebastião – SP e pedindo a 2ª via, num dia em que por vários atrasos o banco fechou e eu não tinha mais como pagar a taxa. Consegui, quase chorando, que um funcionário abrisse a porta para mim e ele me fez entrar pelos fundos e pagar a taxa no banco já fechado.

Depois de todo esse estresse, consegui o passaporte numa 6ª feira, no final do dia, lembrando que meu embarque seria no dia seguinte, sábado, em São Paulo e eu morava em São José dos Campos. Como podem ver, meu começo foi bem emocionante.

Pra mim, todos esses obstáculos só fazem as experiências mais especiais e emocionantes. Acho que gosto de adrenalina mesmo.

Enfim, depois de todos esses perrengues, me vi no dia seguinte, sozinha num avião da Iberia, rumo a Madrid. E ainda hoje me lembro o misto de ansiedade e felicidade plena que permeavam minhas emoções. Após longas 12 horas de viagem, aportei no aeroporto de Barajas – Madrid, completamente em êxtase. Fui me inteirando de quem faria o traslado, pegando mapas da cidade, informações de onde jantar, etc.

No microônibus, fui conversando com outros brasileiros que ficariam hospedados no mesmo hotel e acabamos por combinar de jantar juntos num restaurante típico, com dança flamenca. Mais turista, impossível, mas faz parte.

Cheguei ao hotel, deixei minhas bagagens no quarto, peguei meu mapinha e parti para conhecer um pouco da cidade, já que no dia seguinte seguiria para Portugal. Não tinha muito tempo, mas muita vontade de absorver tudo o que pudesse dessa cidade tão especial.

Rotunda da Boavista - Porto (Portugal)

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