São Paulo / Arusha

Tudo resolvido na vida civil e parti rumo ao aeroporto de Guarulhos (Cumbica) para o início da viagem ao Kilimanjaro.

O voo que estava marcado para sair às 17h30, saiu às 18h45, ou seja, 1h15 de atraso, o que já me preocupou, pois meu voo de Johannesburgo para Dar Es Salam tinha um intervalo de 2h. Logo na saída pegamos uma turbulência de arrepiar, com muitos tremores, a sensação de queda no vazio e com direito a gritos dos passageiros. Não foi muito longo, mas foi bastante intenso. Fechei os olhos, respirei fundo e pensei: gritar não vai resolver o problema...então respire...

Quando passou, olhei para o lado, ri e falei com o passageiro: Foi difícil, né? Merecemos uma bebida para relaxar. Pedi uma taça de vinho e ele um copo de whisky.

Esse senhor, José Luiz, com quem comecei a conversar, morava em Brasília e era funcionário da Embaixada Brasileira.

Ele estava indo para Dar Es Salam para morar, a princípio por 3 anos. Ele já havia morado na Arábia Saudita, Cuba, Rotterdam e outros lugares. Normalmente ficava de 2 a 3 anos em cada lugar e me disse que eles são convidados a trabalhar nesses países e que não podem escolher. Em alguns morou 6 anos, em outros apenas 2.

Conversamos bastante, comemos, tomamos vinho, dormimos e quando menos percebemos, chegamos a Johannesburgo. Chegamos lá às 8h40, horário local e nosso voo para Dar, saía às 9h30, ou seja, tínhamos menos de 1 hora até todos os trâmites, atravessar o aeroporto, etc.

Descemos correndo do ônibus que nos deixou no terminal, subimos uma escada rolante, atravessamos um corredor imenso e chegamos a uma fila enorme para mostrar o passaporte e que dava acesso aos voos domésticos.

Havia apenas 2 atendentes para uma fila enorme de pessoas de todas as nacionalidades. Comentei com o José Luiz que perderíamos o voo se ficássemos ali. Chamei uma funcionária e mostrei a minha passagem. Ela me pediu calma, ahã, faltando apenas 30 minutos para o embarque e disse que auxiliaria todos que tinham voo com prazo apertado.

Ela formou uma outra fila ao lado e foi agilizando os trâmites. Passamos na frente de uma galera e saímos correndo para o corredor, que nos levou a mais uma fila imensa para passar a bagagem no raio X. Eu já estava ficando desesperada, porque o monitor mostrava que nosso voo estava fechado.

Mais uma vez falei com o funcionário do local, que nos pediu calma, mais uma vez, e foi passando a galera que estava atrasada na frente. Passamos as bagagens e pegamos mais um caminho imenso que levava aos portões de embarque. Saí correndo na frente do José Luiz para tentar garantir nossa entrada e ele vinha atrás. Eram muitos portões, ao todo 30 e o nosso era o 19. Corri muito, desci a escada rolante, cheguei ao portão e o funcionário dizendo para eu correr que estava tudo atrasado.

O José Luiz chegou logo depois e entramos num ônibus que nos levaria ao avião. Perguntei ao funcionário sobre as nossas bagagens e ele disse que estavam no avião. Lembrando, o nosso voo era 09h30 e entramos no ônibus às 09h15.

O voo para Dar Es Salam, que tem 1 hora a mais em relação à Johannesburgo, demorou 3 horas e estava bastante tranquilo, com boa parte do avião vazia.

Chegamos à Dar, preenchemos toda a papelada de imigração, numa confusão dos funcionários do aeroporto. Um deles nos deixou passar pelo portão, o outro nos mandou voltar e preencher os papéis. Depois outro pegou nossos passaportes, papéis preenchidos, taxa de visto e levou para um balcão, sumiu atrás de uma porta e não nos falou nada. Nesse momento, Antonio, um gaúcho, se juntou a nós, pois nos ouviu falando português e descobri que ele também ia fazer o Kilimanjaro pela Grade 6.

Seguimos esse funcionário e ficamos aguardando numa fila que não era fila, era um amontoado de estrangeiros que estavam esperando o visto na frente de um balcão com 3 funcionários atrás de vidros. Tudo muito confuso, pouquíssimo organizado e meio um Deus nos acuda.

Depois de chamar quase toda a população de chineses, fomos chamados, deixamos nossas digitais, pegamos nosso troco, nossos passaportes e seguimos para pegar nossas bagagens na esteira. Que bagagens??

Aquelas que não foram embarcadas em Johannesburgo? Resultado: preencher mais papéis, descrever a mala, dizer o que tinha dentro e a funcionária nos diz que as mesmas chegariam no mesmo dia, em Dar Es Salam, por volta das 19h.

Tudo ótimo se nosso voo para o Kilimanjaro não saísse dali a 1h30. Ela nos deu o formulário e disse então que as bagagens chegariam no dia seguinte, por volta das 07h30 no aeroporto de Kilimanjaro. Questionei se não poderiam nos entregar no hotel e ela nos disse que não havia delivery. Teríamos que voltar no dia seguinte para o aeroporto para pegar nossas bagagens, se é que elas chegariam.

A essa altura eu já tinha minhas dúvidas. Enfim, nada mais a ser feito, pegamos um corredor estreitíssimo que nos levaria ao espaço das conexões para voos domésticos. Outra confusão, com gente espalhada pelo saguão, funcionários com cara de atrapalhados, mas fizemos nosso check in e fomos aguardar nosso voo para o Kilimanjaro.

O voo saiu às 16h30 pontualmente e o avião era bem pequeno. Uma pessoa mais obesa teria dificuldades para passar naquele corredor. Após 1h15 chegamos ao nosso destino, depois de um dia inteiro de viagem, 3 aviões, com direito a turbulência em dois deles, bagagens extraviadas, mas estávamos bem e felizes por chegar ao aeroporto de Kilimanjaro.

Duas pessoas, Evalyne e Paulo estavam nos esperando para o transfer até o hotel. Contei sobre as bagagens e ela disse que resolveria para nós e que não precisaríamos voltar ao aeroporto na manhã seguinte. Ótima notícia. Entregamos a papelada que havíamos feito no aeroporto de Dar e aguardamos por boas notícias.

O caminho até o hotel, que fica bem distante do aeroporto, levou pouco mais de 1 hora e nesse interim passamos por alguns vilarejos pequenos e bastante pobres, que a Evalyne disse que eram pequenas cidades.

Chegamos à Arusha, no Kibo Palace Hotel, que é muito bom e me surpreendeu, afinal nunca espero muito desses hotéis em lugares inóspitos. No hotel tinha um belo gramado, academia e o restaurante com vista para a piscina. Fizemos o check in, tomei um banho e coloquei a mesma roupa, já que estava sem mala, sem nécessaire e desci para jantar com o Antonio.

Muito bom ter uma companhia, já que eu imaginei que ficaria sozinha. Conversamos muito, tomamos vinho e estamos indo dormir, afinal estou há mais de 24 horas sem dormir direito e amanhã sairemos para o início da nossa incursão por terras africanas.

O restante do grupo chegará amanhã à noite.

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