Mandara Hut (2.720 m) / Horombo Hut (3.720 m.)

Hoje levantamos às 6h, começamos toda a movimentação de arrumar marinheiras, mochila de ataque, guardar saco de dormir e fomos tomar café. A Arlete, corajosamente, foi tomar banho na água fria, porque não consegue ficar com o cabelo sujo. Admiro, mas não faço isso nem sob tortura.

Saímos para caminhar às 08h30, numa vegetação também linda como ontem, no meio da floresta, embora hoje fosse o último dia a termos esse tipo de árvores e paisagem.

Hoje tinha muitas samambaias, mas aos poucos, por volta de 1 hora após termos saído, a paisagem mudou totalmente. Entramos no clima de savana, com vegetação baixa, capim, a árvore típica da Tanzânia (Senecio Kilimanjari), flores e muita pedra no caminho.

Hoje teríamos um desnível de 700m e a previsão é de que caminharíamos 6 horas. Todos têm andado bastante junto, num bom ritmo. Fizemos três paradas para alimentação, mas não nos demoramos muito.

Temos nos hidratado bastante, em torno de 3 litros e comido bem. Brinco que estou seguindo a dieta do Joel, que é todo equipado, todo preparado, toma um cuidado extremo com alimentação e é cheio de eletrolíticos, aminoácidos, vitaminas, géis energéticos, etc. Ele fez um saquinho de alimentação para cada dia e todos (Ilan, Alexandre, Felipe e Gian) têm seguido suas orientações.

O clima foi ótimo, sem calor ou frio excessivos. Caminhamos a maior parte com o dia nublado o que é bom, porque é muito complicado caminhar com sol a pino.

Caminhamos num ritmo muito bom e chegamos ao acampamento às 14h40. Não tinha muitas expedições e estava bastante tranquilo. Fizemos nossa admissão e fomos nos acomodar nas cabanas. As configurações foram as mesmas do dia anterior e após nos limparmos e “tomarmos banho” de lenço umedecido, fomos para o refeitório tomar chá e comer pipoca.

Ficamos um tempão conversando, rindo, contando histórias e o jantar chegou às 18h. Nos divertimos com os ratinhos andando pelo refeitório e que comiam as pipocas que caiam no chão. O Joel tem pavor deles. Confesso que os achei muito bonitinhos, pois pareciam uns pequenos esquilos, com as costas rajadas.

O jantar mais uma vez foi muito bom, com sopa de abóbora de entrada e depois arroz, picadinho de carne, legumes cozidos e abacaxi de sobremesa.

Fomos para as cabanas por volta das 19h30 e ficamos conversando sobre a vida um bom tempo, cada um contando um pouco de suas experiências e vivências. Aliás, esse é um dos grandes presentes que essas viagens nos dão: conhecer pessoas tão diferentes e interessantes, com olhares diversos sobre a vida e suas sutilezas...

O clima já está bem mais frio e dentro da cabana deve estar em torno de 15 graus, mas o céu estava incrível, estreladíssimo e limpo. Ao longo da noite a temperatura chegou a 9 graus dentro da cabana, segundo nos informou o Felber, também todo tecnológico, cheio de equipamentos, assim como o Joel.

Fomos dormir por volta das 21h30. Depois de mais ou menos 1 hora que tínhamos deitado, comecei a ouvir um barulho em sacos plásticos e achei que a Arlete tivesse se levantando para ir ao banheiro, depois ouvi um barulho na porta e levei um susto. Nisso, o Alexandre falou: Gente, vou acender a luz, porque eu acho que tem rato aqui dentro.

O Carlos e a Arlete estavam dormindo e ele acendeu a lanterna. Eu falei que o barulho vinha do lado em que a Arlete estava. Dali a pouco o ratinho saiu correndo, de trás da cabeça da Arlete, se espremeu para passar por baixo da porta e foi embora. Ele era muito bonitinho, todo cinza, com o rabo peludo e parecia um gambazinho.

Todos acordaram e ficamos pensando como fazer para fechar a fresta debaixo da porta. A Arlete ficou em pânico de imaginar que o rato estava próximo a ela e recolhemos todas as sobras de comida, chocolate, biscoito e fechamos num saco plástico.

O Alexandre enfiou a camiseta dele embaixo da porta, vedando a fresta e fomos dormir. Quer dizer, até eu ter vontade de ir ao banheiro. Como é complicado nessas condições e temperatura, ter que sair do saco de dormir, pegar a lanterna, não fazer muito barulho, sair da cabana para o frio da noite e ter que ir até o banheiro que ficava distante.

Resultado: fiz xixi do lado de fora da cabana, no mato, mas me recusei a andar até o banheiro naquela friaca. Praticidades e desapegos que só essas expedições nos ensinam.

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