Plaza Argentina (4.200 m.) / Campo 1 (4.950 m.) - 1

Oximetria: 85

Batimentos: 95

Pressão Arterial: 12,5/8,5

5,5 km

4h30 de caminhada (subida)

2h de descida

3.500 kcal queimadas

Essa noite foi muito gelada, marcando -1 dentro da barraca e eu estava sem meias. Tinha deixado 2 pares no refeitório, dentro das botas duplas e as outras estavam na marinheira fora da barraca. Então, para mim, a temperatura estava ainda pior, pois quando meus pés não esquentam, todo o restante do corpo também fica gelado. Como em todas as outras noites, dormi muito pouco, acordando o tempo todo.

Saímos para a trilha de aclimatação, às 9h20 e todo o caminho é bastante íngreme. Começamos no passo de montanha, bem devagarinho e o clima ajudou com um sol ameno e sem vento.

Fomos fazendo paradas a cada 1h e seguíamos bem, embora com o cansaço aumentando a cada passo. Logo no início o Emerson disse que estava muito cansado e o Du ficou para trás para acompanhá-lo.

A trilha é muito puxada e seguíamos tentando manter o mesmo ritmo, mas aos poucos as conversas iam rareando e todos concentravam-se nos passos, na respiração e em chegar. No último trecho de subida, saí da fila e esperei o Carlos para seguir no passo dele. Sempre consigo recuperar o fôlego, acalmar a respiração e ficar no passo correto quando sigo o ritmo dele.

Esse trecho é cruel, com pedras soltas e escorregadias, o que nos fazia dar um passo e escorregar dois. Achei muito difícil essa última etapa e estava muito cansada.

Aliás, todos chegaram muito cansados, mas bem. Descansamos, tomamos lanche e ficamos conversando embaixo de um solzinho gostoso por quase 1h.

O Emerson chegou muito mais cansado e bem depois do grupo. Depois do descanso, começamos a descer, o que também não é fácil.

Levamos 2h30 para descer tudo o que havíamos subido e senti que os pés escorregavam na bota dupla e as bolhas foram se formando em cada dedão. Dói muito, mas depois de um tempo você já nem sente mais e segue pisando nelas, até porque não tem muita alternativa mesmo. Chegamos bem, porém bastante cansados.

O dia hoje foi de aclimatação, que é quando subimos para uma altitude maior e descemos para dormir em uma mais baixa para forçar o corpo a novas altitudes. Sempre devemos seguir o ditado: “ Climb high, sleep low “, ganhe altitude, exercite seu corpo e durma em altitudes mais baixas. Ascendemos quase 800 m, o que é muito em altitude e o ar falta. Tivemos sorte de não ter vento como no dia anterior e pouco frio, que ajuda muito nessas condições.

Voltamos ao campo base e fomos para o refeitório nos hidratar, descansar e esperar pelo Emerson. Ele chegou bem depois e estava visivelmente mal. O Marcos, que é médico, olhou de longe e disse que ele estava atáxico, ou seja, com uma irregularidade na coordenação dos movimentos e desordem na marcha e foi com os guias acompanhá-lo até o consultório médico. Constataram que infelizmente ele estava com edema pulmonar e teria que descer de helicóptero.

O edema, seja pulmonar ou cerebral, regride rapidamente quando descemos para altitudes menores, mas pode ser muito perigoso se continuamos em altitude elevada. O edema pulmonar geralmente é causado por insuficiência cardíaca, que leva ao aumento da pressão nas veias pulmonares. À medida que a pressão nesses vasos sanguíneos aumenta, o líquido é empurrado para dentro dos espaços aéreos dos pulmões, chamados alvéolos. Esse líquido acumulado interrompe o fluxo normal de oxigênio nos pulmões, resultando em falta de ar. Em função da escassez de oxigênio e a alta pressão nas artérias pulmonares, por osmose o pulmão enche-se de fluídos provenientes do sangue. Os principais sintomas são: tosse contínua com secreção rosa e espumosa, mãos úmidas e geladas, fraqueza, falta de ar, respiração ruidosa, lábios e unhas azuladas (cianose).(Informações retiradas do site "Conquistando Montanhas").

Todos ficamos muito tristes e eu sempre penso o quanto investimos de grana e envolvimento emocional para ter que desistir tão no início. O mais preocupante é que isso pode acontecer com qualquer um, a qualquer momento.

Ele ainda tomou uma sopa conosco, antes do helicóptero chegar. Despediu-se de todos, desejou boa sorte e foi embora.

Jantamos e o Carlos perguntou a cada um como tinha sido o dia e como tínhamos nos sentido. Ficamos conversando um tempo no refeitório e fomos dormir por volta das 22h, pois estávamos todos cansados.

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