Gringa em Boa Viagem

Das coisas inusitadas que acontecem com uma branquela num país fumê. Passei a semana toda em Recife, vendo a praia da janela do meu quarto de hotel, sem nem conseguir pisar na areia. Bom, já que fiquei por aqui no final de semana, resolvi encarar a água salgada, já que eu adoro uma praia. Coloquei o meu biquíni, o shorts, enchi a cara de protetor solar e fui. Ok, eu sei que sou MUITO branca. Tenho espelho em casa. Mas quando você pisa num lugar onde todos têm aquela cor morena, saudável e bonita, imediatamente você se sente um queijo coalho sem assar.

Enfim, não tenho como mudar isso, até porque minha pele só conhece três tons: branco azedo, pantera cor de rosa e vermelho flamejante ou mais conhecido como queimadura de 3º grau. Mal pisei na areia e um vendedor me abordou falando em inglês. Não sei se deveria ter mantido a conversação nesse idioma, assim evitaria a vergonha de dizer que sou brasileira, apesar da cor, mas acabei dizendo. Segui pela areia, andando e ouvindo música feliz e de repente um cara se aproxima e fala algo. Tirei o fone e ele repetiu a pergunta: Ele: Você é turista? Pensei em responder: Não, sou albina mesmo, mas respondi educadamente que sim. Ele: É, porque essa cor não é muito comum por aqui. Passou protetor solar?

Fiquei em dúvida se deveria me desculpar pela falta de melanina, mas apenas sorri. Ele ainda perguntou se eu era gaúcha e disse que achou que eu fosse gringa. Definitivamente preciso aperfeiçoar o meu inglês... Começou a andar ao meu lado e conversar, porque a criatura era verborrágica e em poucos minutos disse que adorava mulheres com o meu tom de pele, que queria me conhecer melhor e blá, blá, blá. Dali a pouco ele pergunta: Você namoraria um negão como eu? E eu pensando: Senhor, eu só queria ouvir música, pisar na areia e relaxar um pouco e não fazer DR em pleno sábado ensolarado,com uma pessoa que acabei de conhecer. Sorri, disse que nada é impeditivo quando se gosta de alguém, que ele era muito educado e simpático, mas que eu não estava procurando namorado. Ele disse que era uma pena, mas que seu eu mudasse de ideia, que andasse ali pela praia de Boa Viagem, porque ele estava sempre por lá e ia adorar me reencontrar. Em uma hora me contou a vida, sobre o namoro que não tinha dado certo com uma gaúcha que era “a minha cara”, que estava se sentindo muito solitário, falou sobre o trabalho, o relacionamento com os colegas de trabalho, etc. Quase ofereci meus serviços de psicóloga, mas achei melhor não dar corda. Nos despedimos e eu só pude desejar que ele fosse feliz. Afinal, não é o que todos queremos? Ser felizes?

Praia de Boa Viagem - Recife

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