Dos pequenos prazeres solitários

Sou uma pessoa que mora sozinha há alguns bons anos. Às vezes me questiono se isso, no fundo, é uma escolha, ou se é uma contingência do destino, mas é a minha realidade.

E como uma mulher sozinha, faço muitas coisas que a grande maioria costuma fazer acompanhada, como viajar, ir ao cinema, ir ao teatro, sentar num bar, jantar num restaurante e outra que faço com uma certa frequência, é tomar vinho comendo coisas gostosinhas, num sábado à noite, assistindo a um filme, lendo ou ouvindo música.

Faço isso com uma certa frequência, até porque adoro vinho, embora não entenda nada. Gosto do sabor, do aroma, do retrogosto, de entender a acidez, os açúcares, de sentir o corpo e os taninos. Opa, parece até que conheço alguma coisa, mas não.

E hoje não foi diferente. Fui à cozinha, peguei minha taça e fui procurar uma garrafa de um tinto para abrir, quando me peguei pensando: Vou abrir um não tão bom e deixar um mais legal para abrir quando tiver alguém em casa.

Parei no mesmo momento no meio disso e pensei: Guardar para quem? Guardar porquê?

Para beber com alguém que vai passar algumas horas e depois vai embora sem nem lembrar do que bebeu? Para mostrar para alguém que eu tenho bom gosto?

Sinceramente, Sabrina; quem te conhece, já tem a opinião formada sobre seu bom gosto ou falta dele e quem não te conhece....será que vai ser assim tão relevante?

Olhei minha “adega de 30 vinhos” e escolhi o que eu queria tomar. Não é nenhuma relíquia, nenhum tinto premiado, até porque nem tenho grana para isso, mas é o que eu queria beber e abri para celebrar a única companhia que vou ter até o final da minha vida: a minha.

E aqui não tem nenhum traço de mágoa ou ressentimento, mas é simplesmente para dizer que se existe alguém que merece meu brinde, meu reconhecimento e meu agrado, sou eu mesma, porque estar com alguém é muito bom e é um dos meus desejos (eu acho), mas saber estar bem consigo mesma, curtir sua própria companhia, saber se admirar, é algo que merece ser aprendido e vivenciado, porque nos faz mais maduros e preparados para quando alguém merecedor chegar e se não chegar, voilá, continuemos a brindar as noites e dias com quem sempre vai estar por aqui.

Parece tão óbvio o que estou dizendo, mas conheço muita gente que não consegue ficar e viver sozinha e pula de relação em relação, procurando sempre algo ou alguém que preencha o que está faltando. Isso, além de desgastante emocionalmente, revela imaturidade e ao meu ver transforma os dias em buscas incessantes por sentimentos que sempre vão estar aquém e vão continuar se machucando e substituindo pessoas, toques e expectativas que dificilmente serão alcançadas.

Enfim, apenas um brinde aos que não desistem de ser felizes, sozinhos ou muito bem acompanhados. Tim tim!!

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