A arte da solitude!!

Como tudo na vida têm dois lados, garanto que um dos maiores prazeres de ser avulsa numa multidão de casais, é poder programar as férias, com tudo o que envolve essa ação: pensar na melhor época do ano, escolher o local, programar o que visitar, não programar o que fazer, selecionar os locais de hospedagem, decidir quantos dias a viagem vai durar, etc.

E cada uma dessas ações tem a sua graça e sua particularidade. Pensar na melhor época do ano é poder fugir daqueles períodos onde o mundo todo resolve viajar em família, encarecendo e lotando e muito as atrações.

Escolher o local é uma das melhores tarefas, afinal são tantas ideias, tantas vontades de desbravar esse mundão e podemos decidir se vamos para o frio, se vamos nos esticar numa espreguiçadeira de frente para o mar, se vamos escalar montanhas...

Programar o que visitar é poder selecionar aquilo que você mais gosta e decidir se serão museus e galerias, se devem entrar os parques, se serão os monumentos históricos, se reservamos tempo para as compras, se vamos encarar alguma trilha ou se fazemos isso tudo ao mesmo tempo, numa mesma viagem.

Não programar o que fazer é dar espaço para o acaso, para aquela oportunidade que pode “pintar” em qualquer viagem, é deixar uma brecha na agenda para não fazer nada ou quem sabe, somente caminhar e se “perder” pelas cidades, deixando-se levar pelo sabor dos ventos e dos acontecimentos.

Selecionar os locais de hospedagem é escolher se ficamos em alguma pousada charmosa, se vale a pena investir em algum hotel, se optamos por um bed&breakfast, se encaramos um albergue ou se o que vai rolar mesmo é uma barraca.

Decidir quantos dias vamos viajar, talvez seja o mais difícil, afinal, normalmente, temos o desejo de fazer, ver e visitar o máximo que conseguirmos e muitas vezes o que acaba limitando é a grana. Enfim, são tantos detalhes que preenchem os dias e nos fazem viajar antes mesmo de pisarmos num aeroporto.

Confesso que ADORO esse planejamento e me sinto uma criança diante de um mapa mundi, podendo escolher aonde a vida vai me levar dessa vez.

Claro que viajar acompanhado é gostoso; poder dividir impressões, contar com alguém, ter companhia para as refeições, poder “rachar” as despesas e outras coisas, mas de vez em quando precisamos abrir mão de alguns desejos para que as coisas fluam em grupo ou em casal. Às vezes um é mais chegado em artes e monumentos históricos, o outro gosta de se perder nos outlets, têm aqueles que preferem a natureza e fazer gostos muito diferentes convergirem, nem sempre é uma tarefa simples.

Já presenciei amigos e casais brigarem em viagens porque os gostos não batiam e ninguém queria abrir mão da sua vontade.

Por isso, aqui entra a vantagem da viagem solo e de só precisar dar satisfações ao seu bolso e tempo, porque o restante será exatamente como você programar. Sou uma incentivadora das viagens solitárias, e aqui não estou falando de solidão, mas de solitude, porque acho que o aprendizado que elas proporcionam é inestimável.

Elas nos dão mais coragem para enfrentar o dia a dia, nos fazem mais fortes para superar diversos desafios, menos propensos ao mimimi, nos ensinam a valorizar e muito os pequenos prazeres e ampliam a mente de uma forma irreversível.

Acho que todo mundo, pelo menos uma vez na vida, deveria se permitir vivenciar isso, até porque, todos precisam de um tempo para se reorganizar mental e emocionalmente, se aventurar fora da zona de conforto, se desafiar, se “experimentar” e provar do sabor agridoce de contar apenas consigo mesmo.

O mundo é muito grande, as possibilidades são infinitas e se limitar a apenas um tipo de aprendizado ou experiência, é fechar os olhos para a imensidão que nossas asas podem ter.

Ponte Vecchio - Florença (Itália)

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