Experiências

Estava pensando na história que dizem que pessoas mais velhas têm muito mais experiência que os mais novos e me peguei pensando em pessoas que, ao meu ver, tiveram muito poucas experiências, embora sejam mais velhas do que eu. E aqui não estou falando de situações difíceis na vida, porque isso com certeza todo mundo tem e quanto mais velho, provavelmente, mais perrengue tenha passado.

Muitos não viveram coisas simples como aprender a nadar, andar a cavalo, andar de bicicleta e nem vou falar de coisas mais ousadas como saltar de paraquedas, voar de asa delta, mergulhar a profundidades maiores do que 30 metros...

Ok, é a vida de tantas pessoas que conheço e me pego amenizando e pensando que nem todo mundo quer ser “uma velhinha com história para contar” como eu sempre digo que vou ser, mas ainda assim, falta vivência, falta coragem, falta se “jogar na vida”, falta ímpeto, talvez um pouquinho de rebeldia.

E vai faltar até quando? Até quando ficarem velhinhos e perceberem que o tempo passou rápido demais e que faltou tanta coisa para experimentar e que sobraram só as histórias comuns, que todo mundo tem? Não estou fazendo apologia ao radical, até porque nem todo mundo tem as mesmas ânsias ou desejos que eu, mas estou falando de fazer algo realmente diferente, que ajude a encher o álbum da vida com histórias relevantes.

Sei lá, pode ser fazer um mochilão por um país desconhecido, viajar dentro do próprio país sozinho, entrar num curso de sexo tântrico, tentar se equilibrar numa prancha de stand up paddle, mudar de cidade, pegar um trem sem destino definido... Tantas coisas interessantes, estimulantes, que daria uma lista imensa de ideias.

Se fizermos ou não fizermos, a vida vai passar, o tempo vai ser implacável e o amanhã vai chegar e quando menos esperarmos e olharmos para trás, que estrada trilhamos, que caminhos percorremos?

Em que ponto da vida sentimos frio na barriga e borboletas voando no estômago? Quando percebemos que nossa existência realmente teve sentido?

Cada um preenche sua vida da maneira que acha melhor, mas tenho lido muito ultimamente, e também sempre acreditei que o que vale de verdade são as experiências que temos e não os bens que compramos, por mais caros e valiosos que possam ser. E isso é verdade, porque quando eu for velhinha, não vou falar do carro que eu comprei, que nem é assim tão bom, mas vou contar a primeira vez em que fiz um mergulho noturno nas águas de Angra e que achei que fosse morrer de falta de ar, ou do primeiro cume de alta montanha que eu alcancei depois de quase desfalecer na subida e brigar comigo o tempo todo para não desistir, ou de quando saltei de paraquedas e achei que o coração fosse parar de bater por causa de tanta adrenalina...

Cada um tem sua trilha, sua história, suas vontades e desejos, mas espero que busquem seus sonhos verdadeiros, não desistam do que parece difícil, porque lá na frente o que vai contar é o caminho que cada um trilhou e as dificuldades que enfrentou para chegar onde está. Aqueles que não se arriscaram, não saíram da zona de conforto e nem se dispuseram “a se sujar” nessa jornada, terão assistido sentados no sofá aos que foram capazes de se jogar na vida e tiveram coragem de ousar, voar, sentir, viver...

Lembrem-se do que diz aquela frase: “Tudo o que é bom na vida, despenteia”.

Desejo que vocês estejam muito descabelados nesse álbum da vida e que ele seja repleto de experiências memoráveis, lembranças inesquecíveis e histórias especiais.

Salar na Lagoa de Tebinquiche - Deserto do Atacama (Chile)

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