Fragilidade da vida

Sexta-feira à noite recebi uma mensagem carinhosa de um amigo nepalês, mas não respondi porque estava ocupada com outros assuntos. No sábado fico sabendo do terremoto que assolou o Nepal e foi um dos mais fortes já vividos por aquele país que já passa por tantas dificuldades econômicas, sanitárias, estruturais.

Me deu um medo muito grande de que algo pudesse ter acontecido a ele e um arrependimento de não ter respondido a mensagem. Isso me mostrou que a vida, às vezes, nos ensina que o depois pode não chegar.

Fiquei muito preocupada com a sua segurança até que consegui receber notícias dele na segunda-feira pela manhã, dizendo que estava bem. Alívio!!

Me peguei pensando em quantas coisas, quantas situações, quantos desejos, quantas vontades não realizamos, esperando uma hora mais apropriada, um momento mais adequado e isso pode não acontecer nunca. A vida passa, as pessoas mudam, as emoções se transformam e quando nos damos conta, deixamos de viver coisas que poderiam ter mudado algum aspecto de nossas vidas, ter nos feito crescer como seres humanos e o tempo, inexorável, não volta nunca mais.

Podemos não ter uma segunda chance de demonstrar afeto, de dizer que sentimos falta de alguém, de mostrar o quanto essa pessoa é importante ou o quanto nos arrependemos de algumas atitudes tomadas. A culpa de ter deixado de aproveitar uma oportunidade pode ser muito grande e dá uma sensação de vácuo, uma angústia que oprime o peito.

Ok, todos temos uma vida muito corrida, responsabilidades que não podem esperar, assuntos a serem resolvidos, trabalhos a serem executados, mas pesar entre o que é importante e urgente pode ser a diferença entre um carinho e atenção e o arrependimento por não ter feito algo.

Deixar para amanhã, esperando uma condição ideal para que coisas sejam ditas e vividas, só vai nos mostrar que o medo ou a falta de interesse revelou suas caras.

Enquanto escrevo de uma maneira geral, penso muito nas pessoas que estavam no Nepal no momento dos terremotos. Pessoas que foram embora num piscar de olhos e que deixarão lacunas em corações e mentes. Pessoas com tantas histórias de vida, de superação, de alegria e que partiram com o grito que nasce de dentro da terra.

Queria muito poder estar por perto e fazer diferença na vida de uma pessoa que fosse, pois no pouco tempo em que estive naquele país, aprendi a admirar a mansidão, a resiliência e a sabedoria daquele povo eternamente sorridente apesar de todas as dificuldades pelas quais estão sujeitos no decorrer da existência.

Somos muito frágeis, mas podemos ser fortes em nosso espírito aguerrido, em nossa emoção e em nossos corações. Que boas notícias e bênçãos caiam sobre o Nepal e ajudem a dissipar tantas tristezas...

Estupa Boudhanath - Kathmandu - Nepal

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