Sou dessas

Um dia me perguntaram meus defeitos e eu assim, meio sem querer contar todos os segredos, desconversei, mas saiba que conheço cada um deles, tim tim por tim tim.

Sou demais, extravaso, não me caibo, não me seguro. Sou tudo ou nada, ainda que o nada seja recheado de consideração e empatia pelo outro.

Mas no tudo sou melhor, solto minha melhor parte, meu melhor jeito, aquele meio escandaloso que guardo só para os momentos mais intensos.

Nunca fui de mais ou menos. Ou sou ou não sou. Espio para checar se posso entrar e quando percebo que posso, me esbaldo, mergulho de cabeça, entrego segredos, conto histórias e abraço o mundo.

Não seja raso comigo. Ou estamos juntos ou simplesmente não estamos. Chegue de mansinho, mas deixe pegadas, sussurre no ouvido, mas arrepie com o som da sua voz. Me faça sentir falta, me faça querer de verdade.

Gosto de quem me faz rir, de quem me tira o foco, de quem me faz entregar meu tesouro, tão bem guardado sob camadas de refinamento e polidez.

Sim, sou dessas que dão ordem sem perder a classe, que desafiam os medos, que estimulam a força alheia, mas algumas coisas me aniquilam.

Mentiras me enfraquecem, falta de compromisso me desanima, insensibilidade me faz querer correr léguas, mas me desmancho diante de um olhar profundo e verdadeiro, sou capaz de chorar diante da dor alheia e rir o riso feliz de quem conquista os sonhos.

Venha comigo, mas respeite meu espaço, me desafie e me faça baixar a guarda quando tudo o que eu quero é alguém que entenda que estou pedindo colo.

Não seja mais fraco do que eu, mas saiba que sei aceitar a docilidade e gentileza de alguém tão corajoso quanto.

Ok, admito, não vim para esse mundo com o botão da paciência ativado, mas aprendi a julgar muito menos e os preconceitos passam ao largo.

Aprenda a ler meus sinais e extraia toda a vida que existe em mim. Sente-se ao meu lado e só me olhe, assim, com os olhos de quem sabe experimentar o amor, venha ele embrulhado da forma que for.

Patagônia Argentina

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